segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Silêncio




Carlo Allegri/Reuters


[Secção ecos da homilia de hoje] 4 minutos e 56 segundos: a duração da música com que iniciei a homilia. Instrumental, para convidar ao silêncio. Ouvi um ou outro tossir. Uma ou outra agitação de banco. Não se espera silêncio na homilia. Na preparação da mesma, achei que para falar de deserto tinha de convidar ao silêncio. O silêncio que nos pode levar à oração, ao encontro com o mesmo Jesus que foi abanado no deserto em todos os ruídos interiores. E quantos não levamos nós dentro? De histórias, de acontecimentos, de palavras, de olhares, de silêncios eles mesmos ruidosos. Podemos fugir deles com mais ruídos, seja com as muitas televisões em cada canto, seja nos écrans que nos gritam informação e mais informação para digerir. Silêncio. A música durou apenas 4 minutos e 56 segundos. Será que não temos 5 minutos para nós e assim ir enfrentando os ruídos para os dissipar? Dar-me tempo. Dar-me tempo com Deus. Em deserto que alimenta a Vida.

pontosj.pt



[Secção pensamentos soltos, em boa publicidade] Quando se vê a realidade de macro-perspectiva, tudo pode ir pelo melhor ou tudo pode ir péssimo. O exagero presente nos extremos. Questionar a vida a partir de micro-perspectivas, muitas delas da rotina e do quotidiano, ajuda a ajustar o encontro, o sentido e o ser. O diálogo atravessa-se de diferenças e igualdades. Os gritos advêm das injustiças de pessoas que não se escutam nem escutam outras pessoas. De longe, diz-se que a Terra é azul, graças à atmosfera que a envolve. De perto, são muitas as cores, tanto quanto pessoas, em inumeráveis tonalidades a descobrir. É tempo de parar e dialogar. Dia 23 de fevereiro, lançamento do www.pontosj.pt. Questões, respostas, diálogos, encontros. Mais do que uma opinião!

sábado, 17 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Breve oração (ainda em ecos de Cinzas)




Lopamudra Talukdar

[Breve oração em amanhecer ainda com ecos de Cinzas] 

Agradeço-Te o tempo favorável de maior silêncio e assim viver o jejum de tudo o que me impede de ser dádiva.

Coragem e liberdade, peço-Tas, para enfrentar ruídos despertos pelas minhas faltas de amor, próprio e pelo próximo.


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

"Mudar de Vida" - Cocó na Fralda




[Coisas na vida de um padre] A Sónia Morais Santos no seu Cocó na Fralda tem a rubrica "Mudar de Vida". A 10.ª história de mudança de vida, publicada em dia de Cinzas e dos Namorados ;), é a minha. Obrigado, querida Sónia, pela amizade e carinho.

Diálogo(s)




[Secção boas leituras na manhã de Quarta-feira de Cinzas] Timothy Radcliffe, “Ser Cristão para quê?”, ed. Paulinas, p. 204.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Máscaras. Cinzas.




Matilde Campodonico/AP

[Breve oração em anoitecer de Carnaval] 

Agradeço-Te as máscaras. 
Em cada uma, a interrogação de caminho de identidade. 
Agradeço-Te as máscaras desfeitas. 
Em cada uma, a resposta de autenticidade.

Peço-Te:
transforma o desfeito em cinzas lançadas em terra, 

fertilizando a reconciliação da humanidade.  

domingo, 11 de fevereiro de 2018

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Documento. Patriarca. Igreja.



Kern

[Secção pensamentos soltos em encolher-de-ombros-com-suspiro-profundo] Estive a ler o tão mal-amado por tão mal-ou-nada lido documento de D. Manuel Clemente. Vejo-o, na linha da proposta do Papa Francisco, sensato em relação ao tema que, a meu ver, não justificaria o ruído comunicativo com tantas vestiduras a serem rasgadas. Coisas a dar que pensar:

- Ainda há uma mentalidade bairrista: “como foi em Lisboa, pára tudo!” Afinal, em Braga também se escreveu um documento que, curiosamente, sem o impacto deste de Lisboa, teve muito bom acolhimento na Comunicação Social.

- A noção de cultura religiosa, confundida com “crença”, “fé”, “etc.”, é cada vez mais diminuta. Afinal, “Educação Religiosa”, com sentido de cultura, informação, conhecimento, para fazer uma apreciação séria, não é “Catequese”, que implica necessariamente a crença na religião. 

- “Igreja” é um termo polissémico: ora é a igreja de pedra, ora a igreja doméstica, ora a igreja particular, ora a igreja universal. 

- “Patriarca” tem que ver com um estatuto de região, não o “chefe” da Igreja em Portugal. O Patriarca é bispo na sua diocese, não “manda” na Igreja em Portugal. 

- “Matrimónio” para quem tem fé não é só um contrato. Dentro da complexidade das relações humanas, onde nas quais se inclui a fé, quem celebra o matrimónio, celebra-o em carácter sagrado. Em última instância, o que os noivos dizem é: “o nosso amor um pelo outro é tal que é equiparado ao amor de Deus”. Sabemos que para quem não tem fé, isto é uma estupidez, ridículo, etc. e tal, mas, para quem a tem é muito sério.

- “Discernir” é mais que tomar uma decisão. É de ter muitos factores em conta. É entrar na complexidade da relação humana.

- “Corpo” e “Sexo”, ainda há muito a desbravar na beleza destas realidades, também por parte de muitos membros da Igreja. Se, por um lado, não há que reduzir o outro a um objecto para o meu prazer (ex. prostituição, violação), por outro, não reduzir à degeneração como “matéria = mau” (ex. castração).

Muito mais poderia dizer, mas sabendo que é um post e que, em geral, não se lêem coisas muito longas, fico, de momento, por aqui. :)

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Até breve, Mário



[Secção outros tons - em homenagem a Mário Oliveira, Cdt da PGA] Todas as partidas são duras e indesejáveis. Mais são as de quem ainda tem idade de muito caminho. Altera-se a rota, deixando a vida em suspenso. Nessa fracção de segundos com necessidade de digerir a transformação, fica o silêncio deixando ecoar a pergunta: que realmente importa? Aos que partem, ainda mais com coração enorme, desejamos paz e encontro de luz plena. Aos que ficam, apesar de revestida com as naturais e a ser respeitadas dor, raiva, revolta e muitas perguntas, deixar que a memória agradecida anule qualquer morte e nos faça voar para o também essencial da vida: amar o próximo, como a si mesmo. E a Primavera, em rebento novo de encontro eterno, chegará. Até sempre, Mário! Ficaste a dever-me um jantar por terras do norte. Saboreia, em Céu de voo de infinito, o abraço divino.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Crime de mutilação




Ajay Verma

[Secção coisas de corpo] 80. Pelo menos! 80 mulheres, segundo dados da Unicef, foram genitalmente mutiladas em Portugal no ano que passou. É muito. Deveria ser nenhuma, tanto em Portugal, como no mundo, em que se chega a cerca de 2 milhões por ano a serem mutiladas. A notícia praticamente passa desapercebida. A dor física e de dignidade é inexplicável. Ainda há muito a educar sobre o corpo, no qual se inclui o prazer. Não se trata de promoção de hedonismo, mas de dignidade humana. O prazer, o deleite, a satisfação, fazem parte do saborear da vida. Inclui-se o sexual. Em muitas culturas continua a haver medo do corpo e do que esse prazer pode provocar de emancipação feminina. A educação pelo respeito, tanto da mulher, como do homem, também passa pelo saber viver o prazer natural da vida. Como cristão, acredito na divindade presente em toda a carne humana graças ao mistério da encarnação. Quem mutila ou promove a mutilação, física e/ou psicológica, atenta criminosamente contra a humanidade. 

http://observador.pt/2018/02/05/unicef-alerta-para-80-casos-de-mutilacao-genital-feminina-em-portugal-num-ano/


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Pensamentos soltos sobre educação




Retiro a padres



Neil Thomas – padre na Etiópia a ler a Bíblia durante uma vigília nocturna

[Coisas na vida de um padre] Vou começar a orientar orientar retiro a padres da Arquidiocese de Braga. Isto de ser padre tem que se lhe diga, nessa particular adesão a Cristo, que constantemente nos desafia à saída e ao encontro, em grande respeito pelos nossos limites, a perder medos e a viver o afecto pela humanidade sem fazer, tal como Ele, acepção de pessoas. Enquanto padres, temos a grande responsabilidade de sermos dadores de e da Vida. Para isso, também precisamos de parar na especial relação com Ele. Peço-vos a oração ou o pensamento por nós, que estaremos também em oração: eu a orientar, eles a “caminhar”.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Agradecer




[Coisas na vida de um padre] Das experiências que mais agradeço é a oportunidade que me é dada de ver cada pessoa libertar o que a oprime e permitir que a Luz que é, que leva dentro, brilhe, simplesmente brilhe, iluminando os novos amanheceres de vida. É bom, muito bom!

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Rankings? Projecto Educativo




Ali Jarekji/Reuters

[Secção desabafos] Quando se deixar de pensar nas notas como principal medida de avaliação do ensino, mas integrar de facto, com respeito e qualidade o crescimento integral da pessoa [aluno(a), encarregado(a) de educação, docente e não-docente] como factor básico e fundamental de educação, os rankings perdem sentido e deixam de fazer ruído. Ah, entendo crescimento integral o ter em conta as dimensões física, intelectual, emocional, social e, sim, espiritual de cada pessoa, na sua existência e nas suas muitas idades. E isto não é utopia, é sentido de projecto educativo.


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Dia do consagrado




Roger Anis/Reuters

[Secção pensamentos soltos em dia do consagrado] "Não é o modo como uma pessoa fala de Deus que me permite saber se morou no fogo divino..., mas o modo como fala das coisas terrenas.” Este pensamento de Simone Weil está no ponto em especial para o dia de hoje. Em tempos, a imagem [e vida] de quem se consagrava religiosamente era de alguém que morria para o mundo, para as coisas terrenas, encontrando-se na perfeição espiritual. Com visão negativista da matéria, do carnal, afastava-se a pessoa pelo silêncio do convento ou mosteiro, em elevação espiritualista de pureza. Esta dicotomia corpo e alma segregou e segrega, nos meandros onde há esta ideia de “morte para o mundo”. Viver a profunda relação com Deus, ao ponto de perceber que o caminho é pela consagração, não é de ódio ao mundo, mas de, à semelhança de Cristo, amor às pessoas. “Deus amou de tal modo o mundo que nos deu o Seu Filho”, diz-nos S. João no evangelho. Daí que a decisão de entrega pela consagração na vida religiosa, dando maior tempo e espaço ou ao silêncio e contemplação ou ao serviço rezado, implique a busca do profundo amor a este mundo concreto. Amar não significa tomar tudo como certo, mas, com simplicidade no caminho de encontro, colocar as questões de busca de humanidade e de justiça. A consagração, então, não é um heroísmo de morte, mas uma entrega de vida a partir do amor que vê a realidade desde outra perspectiva.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Breve oração




Kos Karathanasis

[Breve oração antes de adormecer]

Escuto os ecos do dia. Apesar da profecia rejeitada em terra própria, agradeço-Te a tranquilidade de querer bem, na fé que dissolve fronteiras. 

Que o novo amanhecer continue a despertar autenticidade no olhar ao próximo.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Agitar a fé




Naomi Sugitani

- P. Paulo, obrigado por aquele momento ontem na Missa.
- Hmm, um gosto. Mas, qual em específico?
- Logo ao início, quando disparou: “que estão aqui a fazer?” E depois de nos convidar a sentar, todas as outras perguntas para pensarmos sobre o nosso sentir, sobre alguém por quem estamos a rezar. Bem, mas foi forte pensar sobre o que estou a fazer na missa. 
- O ritual só tem sentido quando vivido desde as entranhas. Por isso, há que agitar de vez em quando. A vida em e com Deus não pode ser de comodismo ou de acomodar, mas de movimento que leve a mais. As missas são uma seca quando estagnamos a relação com Deus.
- Pois, e eu desde ontem que ando a pensar nisso tudo na minha vida. A fé torna-se coisa pouca quando acomodada, não é?
- Se é. Por isso, há que agitá-la com muita autenticidade connosco próprio e com Deus, percebendo a vida no ritual.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Joaninhas



[Secção pensamentos soltos] Gosto muito de joaninhas. Acho-as delicadas. Apareceu-me uma e deixei-a caminhar pela mão. Entre linhas nem a sentia, tal era a sua suavidade. Enquanto a olhava, recordei os momentos em que tenho de ser suporte firme para que as crianças possam crescer com delicadeza e cor. E ao chegar o tempo certo, na liberdade que nos caracteriza enquanto humanos, permitir o voo.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Sombras e luz



[Secção outros tons] O lado misterioso da vida desperta perguntas. Investigam-se sombras. Desvela-se luz.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Celebração Ecuménica




Samuel Afonso,sj

[Coisas na vida de um padre] Termina hoje, em dia da conversão de S. Paulo, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Aqui no Colégio das Caldinhas temos alunos e educadores de outras confissões cristãs. Então, convidámos os Pastores das suas Igrejas e rezámos juntos em celebração ecuménica. Cristo chama-nos ao serviço e à paz. Em oração, fazemos caminho. 

Projecto






[Coisas na vida de um padre] Quando alguns projectos começam a ganhar forma, apetece agarrar. É muito emocionante. Que dia bonito para o primeiro encontro com o rascunho do projecto: dia da conversão de S. Paulo.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Igualdade na dignidade





David Alan Harvey

[Secção pensamento solto, em jeito de desabafo] Opor mulher e homem não é, de todo, caminho de promoção de igualdade. Nesta questão, nenhuma pode ser a boa ou a má da fita e nenhum pode ser o bom ou mau da fita. A promoção da igualdade na dignidade tem de partir do princípio do respeito mútuo, na complementariedade que cada qual pode dar à humanização da relação. Fora isso, entramos em fundamentalismos, ora machistas, ora feministas, que agridem. E, na agressão, todos saem derrotados. Na união e no respeito, todos são vencedores.

Conversa na Escola Alberto Sampaio



Rita Fernandes

[Coisas na vida de um padre] A convite da Rita Fernandes, directora do CAB - Centro Académico de Braga, estive a moderar uma conversa entre Félix Lungu (Fundação Ajuda à Igreja que Sofre), P. Vasyl Bundzyak (Igreja Ortodoxa Ucraniana), João Quesado (Estudante de Comunicação Social e director do jornal ComUM) e Maria Portela (Estudante de secundário) sobre Liberdade Religiosa - Tolerância/Diálogo, na Escola Secundária Alberto Sampaio, em Braga. Quando as conversas são boas, sabe sempre a pouco.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Breve oração antes de adormecer



Han Lin Teh

[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço a confiança em cada conversa. Nesse pôr de palavras de encarnar o autêntico sem fugas de identidade e acontecimentos. Dá-se liberdade e é-me permitido tocar sagrado em cada vida breve ou longamente iluminada.

Peço-Te
limpidez de silêncio e de escuta.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Breve desabafo em oração



Dolores O'Riordan



[Secção memórias em jeito de homenagem] E de um momento para o outro, ao ouvir Cranberries, a voz de Dolores O’Riordan, voo até aos idos tempos em que estava no 9.º ano. Recordo conversas de turma, o vídeo para a disciplina de Saúde, a frustração de paixões perdidas, os corredores dos pavilhões de aulas, os sítios de encostar à conversa nos intervalos, as listas para a Associação de Estudantes, a escrita no quarto ao final do dia com emoção e desejos de futuro. A história tem marcas de pessoas e de vibração de músicas em momentos precisos.

Dolores, thanks for all… till infinity.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Breve oração antes de adormecer




Chad Butler

[Breve oração antes de adormecer]

Agradeço-Te as perguntas e a liberdade de perguntar-Te tudo, percebendo que não exiges nenhuma perfeição para além de amar. Fico em silêncio ao ver-Te iluminar novas perspectivas de ser.

Que eu não me canse de responder-Te. 

sábado, 13 de janeiro de 2018

Dar atenção aos ruídos




Rhana Chakrabarti

- P. Paulo, fala tantas vezes de silêncio, de fazermos silêncio, como consegue? É tão difícil. Eu não consigo. São muitos os ruídos.
- Bem, antes de mais, há que dar de vez em quando atenção aos ruídos. 
- Como assim?
Levantei-me. Escolhi uma música calma. 



Play. 
- Tome esta folha branca e a caneta e deixe-as de momento no colo. Assente os pés no chão, endireite as costas, pouse as mãos sobre as pernas. Feche os olhos. Vamos fazer três inspirações/expirações profundas enquanto acompanha o som da música. Este tempo é seu. Tome consciência do aqui e do agora. Mais três inspirações/expirações. Liberte o pensamento. Pegue na caneta e na folha e escreva o que lhe vem ao pensamento sem filtrar nada. Não se preocupe em ver. O que está a preocupar? […] O que incomoda na vida? […] A que é que chama ruídos? […] O que está a impedir de fazer silêncio? […] Quando sentir que é o momento, pouse a caneta e volte a colocar as mãos sobre as pernas. E mais três inspirações/expirações profundas. Tome novamente consciência do aqui e do agora. Quando sentir, pode abrir calmamente os olhos. 
- Que leveza…
- Repare na folha.
- Que confusão. 
- E o sentir?
- Leveza e calma.
- Passou os ruídos para o papel. Mas, em consciência, consegue dar nome a algumas coisas que provocam ruído. Dê-lhes a atenção e a importância ajustada. Perceba o que pode fazer sem ajuda. O que tem de fazer com ajuda. O que, de momento, não pode fazer. E vai dando espaço e tempo para a leveza e a calma poderem continuar.


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Breve oração




Francisca Dias

[Breve oração antes de adormecer no Dia do Obrigado] 

Agradeço-Te os detalhes de amizade, no (re)conhecer de beleza e que recordam a Tua presença. 

Ajuda-me a viver sempre de coração agradecido. 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Dizer a verdade




Ahmad Masood/Reuters


[Secção pensamentos soltos] “Dizer a verdade é a ferramenta mais poderosa que temos.” Uma das frases mais marcantes do discurso de Oprah Winfrey que hoje circula pelas redes. Quando a ouvi ressoou-me a famosa pergunta de Pilatos aquando da condenação de Cristo: “O que é a verdade?” Oprah tem toda a razão com aquela afirmação. E é triste que ainda tenha de ser formulada com tanta veemência de modo a que não haja mais condenações injustas, em especial pela desigualdade no trato. Afinal, a verdade reveste-se de justiça e de autenticidade. O respeito por si próprio e pelo outro tem de ser atravessado pela verdade. Em muitos contextos, ainda é ensinado que há seres humanos inferiores, seja pela questão sexual, seja pela cor, seja pela nacionalidade, etc. etc.. Os ensinamentos atravessam o inconsciente colectivo, arraigado na cultura que subtilmente vai diminuindo e abafando o outro que tem medo: da denúncia, do gozo, da humilhação, da morte. Viver a verdade, no seu sentido de autenticidade e justiça, é mais difícil do que parece. Implica atravessar as sombras das dores de vida, do que talvez possa ter sido ensinado como “sempre foi assim”, em contextos sociais e religiosos que maltratavam quem não tivesse poder. Daí a importância da educação, tanto de pequenos como de adultos. Educar para a justiça que passa, insisto tantas vezes, pelo educar ao amor próprio. Quem tem amor próprio sabe libertar-se de jugos de opressão. Basta ler muitos comentários on-line ao discurso de Oprah para se perceber como a falta de educação abunda e sobretudo para se perceber que, sem se dar conta, dão razão ao próprio discurso. Não sei quantas mulheres e meninas  (e também homens e meninos… porque a violência sobre eles é também uma realidade muito dura e mais escondida ainda) vão escutá-lo e conseguir dar passos de libertação. Deveria ser simples e tudo mudar para o “novo dia” que Oprah refere. No entanto, na complexidade da existência, cada um de nós é chamado a fazer um exame de consciência sobre o modo como trata o próximo… em especial, o mais desprotegido, sem auto-enganos, buscando a verdade. Tomando conta que haverá algumas pessoas que rejeita, maltrata, anula, tentar perceber porquê. O problema pode estar na outra pessoa, como em nós mesmos. Na dúvida, aconselho a pedir ajuda a quem possa contribuir para o seu crescimento. Sim, a verdade é importante antes de mais consigo mesmo, depois com os outros, levando a denunciar qualquer tipo de injustiça que atente a dignidade e o respeito pelo outro, independentemente da idade, sexo ou estatuto social. Que se continue a fazer caminho de humanização.

domingo, 7 de janeiro de 2018

Breve oração... em dia de Epifania




Peter Nestler

[Breve oração antes de adormecer em dia da Epifania]

Agradeço-Te a luz que ilumina caminho de novas perspectivas de Ti.


Nas interrogações ou dúvidas, peço-Te força e ânimo para buscar as respostas que em autenticidade derrubem tudo o que possa bloquear a nossa relação.

Boas recordações


[Coisas na vida de um padre] E chegam boas recordações de um dia bonito e cheio de Vida.

sábado, 6 de janeiro de 2018

38 anos de baptizado



[Secção memórias] 38 anos passaram desde esta fotografia. 38 anos de baptizado em dia de Reis. Na altura, nada sonhava do que iria viver na relação com Deus. Nem qualquer noção do significado de ligar-me profundamente a Cristo Profeta, Sacerdote e Rei. Olhar para o que esta fotografia evoca, é ver o tanto que já vivi de busca, de perguntas e respostas, de presenças e ausências, de arrebatamentos espirituais calorosos e arrefecimento de vazios, de confirmações e de incertezas em decisões, que me levou desde a fugir da catequese ao sim em ser jesuíta e padre. Já questionei muito, ainda questiono outras tantas coisas, mas, em honestidade comigo próprio, nunca questionei a existência de Deus. Sempre fez parte de mim. Com consciência de que para alguns pode ser loucura, para outros estupidez ou algo ridículo, esta certeza do Amor feito Carne, que conhece e deseja amar cada canto do ser humano, em inclusão e universalidade, está-me presente na existência. Agradeço a decisão da minha Maria e do meu José em baptizar-me desde bem cedo e, depois, em dar-me a liberdade na descoberta da minha vocação. 38 anos passaram desde esta fotografia. 38 anos de baptizado em dia de Reis.